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Política - Rio

 

Terça-feira, 12 de Junho de 2018

Leonardo Giordano: "Romário e Paes são a manutenção de Temer e Cabral"

Desde que seja eu: candidatura do PCdoB é para valer
Desde que seja eu: candidatura do PCdoB é para valer
Por Fábio Lau
Fotografias de Rebeca Belchior


Candidato ao governo do Rio pelo PCdoB, o vereador de Niterói Leonardo Giordano é político que não aposta na briga. Comedido nas palavras, este vascaíno respondeu a um questionário preparado por Conexão Jornalismo para esclarecer pelo menos uma dúvida gigante: sua candidatura é mesmo para valer ou estaria a serviço do partido para abiscoitar eventual composição de chapa? E ele, que esbanja Camões, diz que sim: é para valer. Não disse, mas quase falou, que quando pede união da esquerda espera que ela se dê em torno do próprio nome. Vê nas candidaturas de Romário e Paes a continuidade de Temer e Cabral - Nada mais maldito, portanto. E lembra que lanchas, helicópteros e outros bens dos ricos permanecem livres de tributação. E é esta a fonte da receita que pretende instituir para deflagrar o milagre da multiplicação da receita do Estado.



O senhor é candidato ao governo do Estado pelo PCdoB. Entretanto, assim como a candidata do partido à Presidência, Manuela D'Ávila, tem discursado em favor de uma chapa única da esquerda. Sua candidatura é mesmo para valer?

Leonardo Giordano - Nossa pré-candidatura é a melhor opção para unificar a esquerda. Imaginamos que neste momento as vaidades pessoais não podem estar acima dos interesses do povo do Rio. Mas isso não significa que vamos retirar nossa candidatura para qualquer um, mas que não somos obstáculo para a união da esquerda. Sabemos que uma candidatura jovem, ligada a movimentos populares, que não é da capital e que vem de um partido político que tem voz e legitimidade tem base para reivindicar apoio de outras legendas. Nosso convite é para que os demais partidos nos apoiem.

O Estado do Rio de Janeiro vive certamente o seu mais difícil momento em termos econômicos e sociais. Crise financeira, de autoridade, crescimento da criminalidade e do desemprego. Como o senhor, pertencendo a uma legenda comparativamente pequena, especialmente se a régua comparativa for o PMDB, pretende negociar e para garantir apoio do parlamento?

Leonardo Giordano - Pretendo ter uma relação altiva e honesta com a Alerj. Não quero que se repitam cenas lamentáveis como a compra da Alerj e corrupção de deputados. Precisamos ter força política e apoio popular. Podemos, ainda, construir soluções como um governo de coalizão. Esperamos aumentar o arco de aliados e com partidos de esquerda governando. Não acredito em governabilidade a qualquer preço. Se tivermos a população ao lado, a maioria se torna viável. Pezão tem maioria fisiológica. O caso do Flávio Dino (Maranhão), que é do nosso partido, é exemplar: construiu uma coesão em torno do seu projeto político popular. E este é o modelo.

Historicamente os governadores de partidos de oposição tiveram que abrir espaço no governo para partidos conservadores. Brizola, pelo PDT, sofreu grande desgaste por conta disso. O senhor já pensou que terá que convidar partidos de direita para um eventual governo?


Leonardo Giordano - A composição com partidos diversos é possível. Não quero um governo de puros ou santos. Não quero uma ideia sebastianista (salvadora). O importante é que estejamos, todos, com os trabalhadores no centro do governo. Tenho como exemplo prático o caso de Flávio Dino, já citado. Ele mostra que é possível ter uma pauta de esquerda mesmo quando não se tem maioria na Assembleia. Dino é o governador mais popular do país.

A violência no Rio é hoje ainda mais gritante. A crise econômica faz até mesmo traficantes atuarem junto a milicianos e em atividades como roubo (cargas e até nas ruas e coletivos) e assaltos. Como conteer isso? O uso da força, em comunidades, tal e qual ocorre hoje, estará descartado?

Leonardo Giordano - O Rio enxuga gelo no campo do combate às drogas. Ao invés da ostensividade, que não traz resultados, quero apostar na inteligência. Muita gente fala isso, mas ninguém faz. 90% dos homicídios não são esclarecidos. O principal crime é o crime contra a vida. Quero investir na preparação policial. Quero uma inflexão nesta política atual. Vamos acabar, com diz um professor da PUC, com a síndrome do cabrito que consiste em subir ou descer morros. Não quero agir como uma família do Rio que diz que uma arma na cintura irá resolver. Isso não existe. Queremos uma mudança de trabalho.

Há dois dias um ataque da PM vitimou pelo menos sete supostos traficantes que escapavam pela encosta do Pão de Açúcar. Há claros sinais de que teria havido execução. Caso fosse o senhor o chefe do executivo, e naturalmente chefe da Polícia Militar, abriria sindicância contra os policiais do Bope suspeitos? Mesmo sabendo que os fugitivos eram criminosos perigosos?

Leonardo Giordano - Abriria sindicância. Vamos valorizar o bom policial, mas isso não pode ser tabu. Não podemos desconectar a ação do policial da lei. Os mecanismos de controle sobre a polícia devem prevalecer. Qualquer ideia de contradição de Direitos Humanos e política de segurança pública seria uma distorção. Por isso levaria sim ao cabo uma investigação sobre os policiais caso ocorresse algo semelhante no meu governo.

Qual seu projeto para a Educação? De onde pretende tirar recursos para recuperá-la?

Leonardo Giordano - - Existem saídas estruturantes para ampliar a arrecadação do Rio. Poderemos cobrar a Lei Kandir (leia abaixo a explicação) Devemos cobrar devedores do Estado que não são cobrados; Podemos garantir ao Rio R$ 60 bilhões com esta nova fonte de arrecadação. Precisamos manter a retomada do investimento como meta no horizonte. Outra medida importante é cobrar IPVA de lanchas, helicópteros e outros veículos de luxo e que hoje estão isentos. Vamos ter um compromisso com as classes históricas. Vamos chamar os professores para governarem junto. Precisamos valorizar esta Educação. Os Cieps são referência e vão estar no nosso horizonte como política de Educação em um modelo integral. Pretendo valorizar Uerj, Uenf e Uezo que quase foram extintas. Quero também as Faetec cumprindo um papel importante.

Qual seu projeto para a Saúde? De onde pretende tirar recursos?

Leonardo Giordano - Tenho compromisso com o SUS. Acabar com as terceirizações é fundamental. Precisamos construir uma nova abordagem na área da Saúde onde a gente possa ter de fato o aumento dos investimentos. E isso só será possível com o aumento da arrecadação. Precisamos estruturar as unidades e para isso precisamos retomar o crescimento do Estado.

Dentre as candidaturas lançadas, no campo da esquerda, qual, além da sua, teria maior densidade eleitoral?

Leoanrdo Giordano - Todas as candidaturas de esquerda valorizam temas que nos são importantes. A do PCdoB, por exemplo, tem foco na questão do emprego e desenvolvimento. Por isso evito analisá-las isoladamente e respeito a todas. Por isso precisamos estar atentos para enfrentar Eduardo Paes, que é um herdeiro de Cabral, e Romário, o candidato de Temer. E seria bom analisarmos esta possibilidade já no primeiro turno. O PCdoB acredita ter a melhor pré-candidatura para unificá-las.

Qual sua opinião sobre a candidata do PT (provável), Marcia Tiburi?

Leonardo Giordano - Acho uma grande intelectual. Importante que o PT esteja assuntando o nome de uma mulher. Tenho por ela grande respeito. Quero chamá-la para conversar. Ela tem papel relevante e tenho grande respeito por ela como quadro, feminista e militante do PT. Já tive ouvindo e creio que ela pense que a unidade é também importante.

Qual sua opinião sobre Tarcídio Motta (PSOL)?

Leonardo Giordano - Tenho respeito pelo Tarcísio, que é uma figura da Educação. Um vereador, assim como eu. Já tivemos oportunidade de tomar um café e convidei para pensar sobre a unidade das esquerdas. Fiz ver que o cenário é assombroso e pode resultar em mais quatro anos de continuidade do PMDB embora sob outra marca, outro partido. Quero convidá-lo para que reflita, de maneira mais profunda, sobre esta possibilidade. Nenhum dos pré-candidatos da esquerda pontua em pesquisas de forma a aparecer de maneira viável para estar no segundo turno. Isso implica que temos que ter toda pressa na unificação da pré-candidatura. Caso não ocorra esta união nós disputaremos a eleição em campos separados. E eu espero que pelo menos estejamos juntos na denúncia das mazelas do que ocorrerá ao Rio. Mas isso pode ser trágico para o Estado.


NdaR -
*Lei Kandir - Aprovada em 1996 para estimular as exportações, a Lei Kandir estabeleceu regras para o ICMS, principal fonte de receita dos estados, e, para muita gente, agravou a situação dos Estados. Isso porque ela extinguia parte dos impostos cobrados sobre produtos destinados à exportação. Desonerava de imposto exportações de produtos primários e semielaborados como café, soja, tabaco, óleo de petróleo (principal produto exportador do Rio) e minério de ferro. Na época, o trato do governo federal com estados foi que os entes abririam mão de arrecadar o imposto e a União assumiria o compromisso de recompensá-los. Porém, nunca foi votada a lei para regulamentar esse ressarcimento. E há duas décadas que as perdas entre os estados se acumulam. A lei recebeu o nome do seu autor, Antonio Kandir, à época um jovem economista integrante do governo liberal de Collor de Mello.

Com a mudança aprovada no ano passado há a expectativa de que o Estado do Rio pudesse receber entre 50 e 60 bilhões de reais já em 2019 - conforme frisa na entrevista Leonardo Giordano.


 

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